Primeira empresa de serviços criada para atender especificamente ao mercado segurador brasileiro, a Delphos completou 59 anos no dia 10 de maio. O aniversário coincide com o início de uma nova fase, marcada, principalmente, pela troca de comando na direção. O novo CEO Nélio Alvarez, que acumula mais de 40 anos na empresa, iniciou sua gestão em maio, sucedendo à Elisabete Prado, que teve papel central na consolidação da Delphos.
Elisabete Prado também foi responsável por preparar a Delphos para apoiar as seguradoras na transição para o novo ambiente regulatório e de dados. Tanto que, no último ano, além do desempenho consistente, com estabilidade nas principais linhas de receita, a empresa teve um avanço relevante em eficiência e disciplina de dados, em linha com as exigências crescentes da Susep e com a preparação para o novo Marco Legal dos Seguros.
“Foi um ano de reorganização interna, revisão de processos e adequação das nossas bases de informação para responder melhor às demandas regulatórias e dos clientes”, diz Nélio Alvarez. Neste ano, segundo ele, a empresa já começa a capturar esses ganhos com esteiras de sinistros mais enxutas, maior qualidade e rastreabilidade de dados, inclusive para fins de SRO, e o uso crescente de IA e automação, em especial na regulação de sinistros de DFI (Danos Físicos ao Imóvel).
Preparada para novas demandas
Nos últimos anos, o ambiente regulatório no setor de seguros mudou radicalmente. Nélio Alvarez pontua as mudanças, destacando que, de um lado, o novo Marco Legal dos Seguros e o SRO trouxeram mais transparência, granularidade e responsabilidade no uso da informação. De outro lado, avalia que o Open Insurance (OPIN) abriu caminho para um ecossistema mais integrado, em que dados circulam com segurança e consentimento do cliente
De acordo com o CEO, nesse cenário de transformações, a Delphos tem se preparado com uma visão muito clara: dados, regulação e tecnologia caminham juntos. “Nossas soluções e processos vêm sendo ajustados para esse contexto: estruturas de dados compatíveis com as exigências do SRO, trilhas de auditoria mais robustas, automação de rotinas manuais e uso de IA para qualificar informações antes de chegarem às seguradoras”, diz.
Já na regulação de sinistros, particularmente em DFI, ele considera que isso se traduz em plataformas capazes de capturar, estruturar e validar dados de vistorias, laudos e documentos, reforçando a confiabilidade dessas informações para fins regulatórios e para futuras integrações com o ambiente OPIN.
Por que a Delphos decidiu investir em IA? Nélio Alvarez responde que o propósito é melhorar a eficiência e elevar a qualidade dos dados que sustentam a regulação de sinistros. Segundo ele, a IA, na prática, apoia a automatização de tarefas mais mecânicas, como leitura de documentos, conferência básica de campos e triagem, e atua como suporte à análise técnica, especialmente nos laudos de DFI emitidos pela rede de engenheiros e arquitetos.
“Ao qualificar melhor esses dados na origem, reduzimos inconsistências, retrabalho e divergência de interpretação”, diz, acrescentando que tais condições são cruciais em um ambiente em que o Marco Legal dos Seguros e o SRO exigem mais precisão, rastreabilidade e transparência nos registros de operação. “Para os clientes, o resultado é uma regulação mais rápida, previsível e com menor risco de disputa, aderente às novas regras de contratação, sinistros e direitos do consumidor”, diz.
Novo segmento
Atenta à evolução regulatória e às transformações do mercado, a Delphos também se preparou para apoiar um novo segmento de seguros. Trata-se das associações de proteção veicular e cooperativas de seguros, que agora estão sob a supervisão da Susep. “A Delphos pode levar para esse público sua experiência em processos de sinistros desenhados para rastreabilidade, bases de dados estruturadas, uso de IA na triagem e análise e aderência às melhores práticas de supervisão”, diz.
Na visão de Nélio Alvarez, à medida que esse segmento se aproxima das referências do mercado segurador tradicional e dos padrões que inspiram o Marco Legal dos Seguros, o SRO e iniciativas como o OPIN, cresce o potencial de parcerias com prestadores como a Delphos. “Nosso objetivo é ajudar essas entidades a ganhar escala com segurança: sinistros mais bem documentados, dados prontos para supervisão e uma experiência mais previsível para o associado”, diz.
Planos
Para este e o próximo ano, o CEO da Delphos afirma que o objetivo é consolidar uma operação cada vez mais orientada a dados e alinhada aos marcos regulatórios que estão redesenhando o mercado. “Isso significa aprimorar continuamente nossas bases de informação, reforçar trilhas de auditoria e integrar tecnologia e IA, de forma gradual e consistente, para garantir qualidade, consistência e rastreabilidade em cada etapa dos nossos serviços”, diz.
Atualmente, a Delphos vem ampliando, de forma progressiva, o uso de IA e automação em sinistros, em especial em DFI, substituindo rotinas manuais por processos mais inteligentes e aderentes às exigências de dados e documentação dos reguladores. Ao mesmo tempo, segundo Nélio Alvarez, a empresa fortalece sua parceira estratégica com seguradoras, cooperativas e associações. “Para operar com excelência nesse novo ambiente de dados e regulação, combinamos conhecimento técnico, visão regulatória, capacidade de execução e investimentos na formação de lideranças e equipes”, diz.