A Delphos chama atenção para um ponto cada vez mais estratégico no mercado: o papel do acompanhamento técnico na evolução do seguro garantia. Em meio aos movimentos da Susep para fortalecer esse tipo de seguro, especialmente na retomada de obras públicas, a companhia defende que o diferencial está menos na apólice e mais na forma como o risco é gerado ao longo da execução das obras.
Na prática, muitos dos problemas enfrentados no seguro garantia não estão diretamente ligados à estrutura do produto, mas à ausência de monitoramento técnico contínuo. Sem esse acompanhamento, desvios operacionais acabam se acumulando ao longo do tempo e só aparecem no momento do sinistro, quando a resolução se torna mais complexa, custosa e sujeita a conflitos entre as partes.
Diante desse cenário, fiscalização, controle e leitura técnica deixam de ser elementos acessórios e passam a compor o núcleo da gestão de risco. A mudança de abordagem é clara: sair de um modelo reativo, focado apenas no sinistro, para uma atuação preventiva, com maior previsibilidade e controle.
A integração entre tecnologia, processos estruturados e equipes de engenharia também ganha protagonismo. Com dados de campo, vistorias e análises do cronograma físico-financeiro, as seguradoras passam a ter uma visão mais completa da evolução dos projetos, permitindo decisões mais assertivas ao longo da execução.
Esse movimento amplia o papel do seguro garantia, que deixa de atuar apenas como proteção financeira e passa a funcionar também como ferramenta de governança da obra.
Segundo a Delphos, a experiência prática já demonstra os impactos positivos dessa abordagem. Programas estruturados de acompanhamento técnico contribuem diretamente para reduzir riscos, melhorar o desempenho das operações e mitigar conflitos entre contratantes, construtoras e seguradoras.
“A transformação que o setor busca não está apenas nos produtos, mas na forma como operamos o risco na prática. No seguro garantia, é a qualidade da operação, entre a apólice e a obra, que, em última instância, transforma risco em resultado”, afirma Beatriz Cavalcante.
A discussão reforça uma tendência no setor: mais do que inovação em produtos, o futuro do seguro garantia passa por uma gestão mais eficiente e integrada do risco, especialmente no que acontece fora do papel, durante a execução das obras.
Fonte: cqcs.com.br